Entrevistas
- O que é ABRACAM
A Abracam, é uma associação de classe fundada em 2001, tendo em seu quadro associativo
Corretoras de Câmbio, essas que naquele momento sentiram a necessidade de uma representação
própria, devido a atuarem em um setor que é regido por uma legislação muito especifica
e bastante complexa.
- Pq da parceria com o SIMPI...
As empresas de grande porte possuem volume de negócios que justificam manter um
departamento de comércio exterior para dar suporte operacional diante da complexidade
e constantes alterações na legislação. Já no caso das micros e pequenas empresas
esse procedimento torna-se inviável. Com seus conhecimentos as Corretoras de Câmbio
podem suprir de forma qualitativa as suas necessidades através de uma assessoria
permanente.
- No quesito burocracia, muitos empresários têm tido dificuldades para importação
e exportação, o que a ABRACAM tem feito para sanar esse problema?
A Abracam procura servir de intermediária entre as necessidades das empresas clientes
das Corretoras de Câmbio, e as autoridades envolvidas com o Comércio Exterior. Como
sempre estamos em contato com um número expressivo de empresas que atuam na exportação
e importação podemos sentir suas dificuldades e agrupá-las para efetuarmos nossas
reivindicações. Como exemplo posso citar a recente alteração na legislação sobre
o Simplim e Simplex o que foi um pleito da ABRACAM.
- Vc poderia esclarecer o que é e qual a finalidade do Simplim, Simplex ?
Simplim é a permissão para pagamento de importações com valores de até US$ 10.000,00
ou o equivalente em outras moedas que podem ser contratadas simplesmente através
de um boleto de operação sem a necessidade de vinculação de documentos a contratos
de câmbio o que desburocratiza e conseqüentemente diminui os custos da operação.
Simplex é a permissão para o recebimento das exportações com valores de até US$
20.000,00 ou o equivalente em outras moedas que também podem ser contratadas forma
simplificada trazendo os mesmos benefícios.
- Essas operações hoje podem ser feitas diretamente através das corretoras?
Todas os operações de Simplim e Simplex além de outras remessas financeiras que
vão desde Transferência de Patrimônio até Compromissos Diversos podem ser contratadas
diretamente com as Corretoras de Câmbio. Por atuarmos especificamente na área oferecemos
menores custos além de simplificarmos o procedimento devido ao fato de conhecermos
profundamente nossos clientes.
- Como as micros e pequenas empresas podem estar contatando a ABRACAM?
Através do nosso site ABRACAM@ABRACAM.COM
onde serão encontradas diversas informações especificas em comércio exterior, e
onde também encontrarão os links para os sites das nossas associadas. Também manteremos
um canal permanente com as micros e pequenas empresas através do SIMPI.
Basileia III contra os mares revoltos
As perdas bilionárias pelo mundo afora, desencadeadas pela crise do sistema financeiro
em 2008-2009, exigiram a implementação de medidas mais rígidas para resguardar o
sistema bancário de futuros colapsos. O resultado está na Basileia III, regulamentação
mundial fruto de um acordo entre chefes de Bancos Centrais e reguladores, que “aperfeiçoa
a capacidade das instituições financeiras de absorver choques provenientes do sistema
financeiro ou dos demais setores da economia”, segundo o Banco Central do Brasil.
Essa terceira leva de recomendações, divulgada pelo Comitê de Supervisão da Basileia,
reforma as duas anteriores. Traz as normas que deverão ser adotadas pelos bancos
entre 2013 e 2019. Cada país participante do acordo deverá adaptar as novas regras
aos respectivos sistemas financeiros. Em geral, os bancos são forçados a aumentar
e melhorar a qualidade de suas reservas de capital para se protegerem.
“Um capital de maior qualidade é mais caro. Nesse contexto, os bancos brasileiros
de médio porte serão os mais afetados pelas mudanças que ocorrerão a partir desse
acordo. A tendência é de que o custo de captação destas instituições aumente, pois
o sistema financeiro como um todo precisará captar mais recursos para fazer frente
ao aumento da exigência de capital mínimo”, explica Lúcio Anacleto, sócio de auditoria
da KPMG no Brasil na área de Financial Risk Management.
Colchão reforçado
Segundo Anacleto, entre as mudanças está o aumento de 4% para 6% do capital de nível
1 (Tier1), que são as reservas básicas de capital do banco, calculadas de acordo
com o grau de risco dos ativos da instituição. Além disso, sobe de 2% para 4,5%
o capital principal (Core Tier 1), que inclui capital social, constituído por cotas
ou por ações ordinárias e preferenciais não resgatáveis e sem mecanismos de cumulatividade
de dividendos, e também por lucros retidos, deduzidos os valores referentes aos
ajustes regulamentares.
Outra novidade é o buffer de conservação, que é um adicional ao capital principal
(Core Tier 1) com objetivo de evitar que a base de capital seja afetada em tempos
de crise. Esse "colchão" eleva a cota mínima de capital principal (Core Tier 1)
para 7%.
E um ponto importante: os bancos devem constituir um “colchão” adicional quando
houver sinais de expansão excessiva do crédito. Essa nova proteção poderá chegar
a até 2,5% em ações ou outro capital capaz de absorver perdas. A autoridade regulatória
é que determinará o gatilho a partir de uma turbulência no mercado.
“Basileia III traz vantagens como aumentar a resiliência, transparência e consistência
da saúde financeira das instituições, que podem mitigar riscos relacionados a depósitos
de correntistas, intervenção do governo, captação externa, eficiência corporativa,
dentre outros”, conclui.
Evolução
Na avaliação de Marcelo Nascimento, economista da corretora Renascença, a regulamentação
é sim uma evolução se comparada à anterior. Ele acredita que a nova regra detecta
as fragilidades do movimento financeiro e alavanca os negócios, além de dar uma
caracterização mais real à realidade do mercado. “Outro ponto positivo é que evita
a concorrência desleal entre os bancos porque todos são obrigados a seguir os mesmos
protocolos, inclusive em relação à alavancagem de capitais. Ou seja, um banco não
pode alavancar seu capital muito além do outro. Basileia III deixa, assim, o mercado
mais restritivo, garantindo uma concorrência mais igualitária. Fica mais fácil identificar
os fatores de risco do mercado”.
Liberal Leandro Gomes, presidente da Associação Brasileira das Corretoras de Câmbio
(ABRACAM), também acredita que Basileia III veio para clarear os horizontes. Para
ele, a implementação do acordo (compromisso assumido com o G-20, que são os vinte
países mais ricos do mundo) assegura que algumas estruturas de capital, como o risco
de Liquidez e o risco de Crédito e de Mercado, estão melhores adaptadas ao cenário
brasileiro do que em outros países, fortalecendo ainda mais o nosso sistema bancário,
que já trabalha com um porcentual de 18%, quando o exigido é 11%.
“Esse conservadorismo, inclusive, ajudou o Brasil a passar melhor que outros países
pela crise de 2008. Apesar de ser uma estrutura cara de se carregar, ela vale pela
estabilidade e fortalecimento das nossas instituições financeiras com o foco no
índice de alavancagem e no risco de liquidez na estrutura de capital”, argumenta.
05/11/2010 - CETIP - Liberal Leandro Gomes
Em sua opinião, quais são as vantagens dessa medida para as corretoras?
Este será um complemento dos serviços prestados pelas Corretoras de Câmbio. Já damos
toda a assessoria para as empresas que demandam por estes serviços até a contratação
do câmbio junto aos Bancos ou até mesmo contratando o câmbio, portando será o fechamento
de todo um ciclo.
Quais as perspectivas para as corretoras de câmbio no mercado de derivativos?
Nossa perspectiva é que conseguiremos participar ativamente dos registros de derivativos,
pois já estamos próximos dos nossos clientes que necessitam deste serviço.
Esta possibilidade melhora o relacionamento com seus clientes? Por quê?
Além da melhora no relacionamento com nossos clientes, esta possibilidade dará uma
maior capilaridade e agilidade para as empresas que demandam este tipo de serviço
pois as mesmas terão possibilidade de "cotar" o mercado não ficando exclusivamente
dependendo de quem fez o registro.
Que análise o senhor faz do mercado de derivativos hoje ?
O Brasil é um país que utiliza muito este produto, pois sendo grande exportador
e importador de produtos que normalmente demandam hedge, devido a sua grande oscilação,
tem toda a tendência para o crescimento e com esta nova possibilidade das corretoras
poderem fazer o registro, o mercado só tem a ganhar pois serão mais “players” atuando.
Além de agradecermos a CETIP por disponibilizar às Corretoras este tipo de serviço,
entendemos que este pode ser o princípio de um grande relacionamento entre ABRACAM
e a CETIP para o registro de outras operações do mercado de câmbio. O mercado demanda
tal necessidade e, as autoridades, neste caso o Banco Central do Brasil, vem dando
clara demonstração de que necessitamos criar mecanismos que os auxiliem em seus
controles sem a necessidade da participação direta desta mesma autoridade.
Univali - Universidade do Vale do Itajaí
Curso: Comércio Exterior
Matéria: Introdução ao Comércio Exterior
Assunto: Profissional da Área de Câmbio
Aluno: Felipe Ricardo Kappke
Contato: felipe-kappke@hotmail.com
Nome: Liberal Leandro Gomes
Idade: 54 anos
Empresa: ABRACAM - Associação Brasileira Corretoras de Câmbio
Quando e como você ingressou na área de câmbio?
Em 1971 como mensageiro na Corretora de câmbio BCN S.A.
Como você atingiu a presidência da ABRACAM?
Fui um dos fundadores da ABRACAM 10 anos atrás, passando por todas as diretorias
e vice-presidência.
Quais são as principais atividades de um profissional que trabalha na área de
câmbio?
a) Back Office: análise de documentos de comércio exterior e confecção dos
contratos de câmbio,
b) Administrativa: controle dos documentos exigidos pelos órgãos públicos,
ex: Banco Central, Receita Fedral, Prefeitura, etc.
c) Operacional: Dá atendimento aos clientes na hora da contratação de câmbio,
bem como suporte na parte de legislação (se a operação está enquadrada corretamente,
se incide IOF/IR/CIDE etc)., consultando a rede bancária, para conseguir a melhor
taxa de câmbio para seu cliente.
Quais os conhecimentos técnicos necessários para atuar na área?
Não é exigência, mas deve ter formação em comércio exterior, cursos na área de câmbio
(Inclusive a ABRACAM tem vários), PLD(prevenção a lavagem de dinheiro) as melhores
práticas do ¨conheça seu cliente¨,etc.
Quais as principais características pessoais que o profissional deve ter?
Facilidade em relacionamento e comunicação, e ajuda muito ter conhecimento de Inglês/Espanhol.
Quais os maiores desafios ou dificuldades impostas pela própria profissão e/ou
por fatores externos?
A dificuldade maior é referente a legislação, que a brasileira é muito complexa,
e o profissional precisa gostar de ler e entende-las para poder explicar aos seus
clientes.
Quais os maiores benefícios/vantagens ou realizações que a área lhe proporciona?
É uma área fascinante, normalmente quem inicia nela não sai mais, apesar do stress
constante, pois o trabalho constantemente é em cima de cotações que oscilam constantemente
e também é uma das áreas que melhor remunera seus profissionais.
Poderia nos informar uma média salarial, de um iniciante e de alguém experiente?
Iniciante R$ 1.500,00
Back office R$ 2.500,00
Operador R$ 5.000,00 + comissão sobre o faturamento da sua carteira.
Você permite a utilização das informações acima associadas ao seu nome ou prefere
a anonimidade?
Sim, permito.
Att., Felipe Ricardo Kappke